
Em meio a tormentos, uma parada.
Sem muito expectativas.
Cansaço e desencanto.
Sempre as mesma ironias, os mesmos venenos.
Coração acelerado, garganta seca, mordidas de lábios.
Insônia, desespero, respiração gelada, medo.
Amargo sabor de escolhas erradas.
Uma lágrima cai, a mão segue seu percurso apagando qualquer vestígio de choro.
Ao chegar no peito os dedos percebem algo diferente.
Olhos atraídos ao lugar do toque.
Quase possível sentir cada relevo da marca que esteve esquecida aqui.
E o esquecimento vai dando espaço as lembranças, boas lembranças.
Lembranças de um tempo com o Rei.
Então a vontade de voltar impulsiona aos primeiros passos, que logo se transforma em uma corrida de volta para casa.
A respiração agora acelerada, traz a sensação de vida.
A cada expirar um despojar, um esvaziar, uma libertação.
A cada inspirar a busca pelo renovo.
No abraço o reencontro, é impossível conter as lágrimas e a felicidade.
O amor se derrama e embriaga.
O amor preenche todos os vazios.
E tudo o que foi perdido é restituído.
E a consolação desce dos céus como fogo abrasador.
Transformando tudo que toca.
E tudo que era lembrança esquecida, agora é realidade viva.
Hoje?
Hoje vivo como herdeiro, na constante presença do Senhor.
Bruno Lobo


Nenhum comentário:
Postar um comentário